MANIFESTO INTERESTELAR

(porta de entrada para o projeto)

Não se trata de compreender.
Não se trata de explicar.
A matéria que aqui repousa é feita de fragmentos, pulsações e presunções inimagináveis aos olhos dos humanos.

Abrir este dossiê é atravessar um limiar:
cada página é uma fenda,
cada frase uma dobra,
cada anotação um espelho que devolve mais do que mostra.

Não há ordem senão a desordem das constelações.
O que parece caminho, é desvio.
O que parece plano, é abismo.
O que parece projeto, é profecia.

Aqui, a indecifrável escritura ganha corpo.
Aqui, as portas se abrem não para destinos,
mas para o espanto de não reconhecer o chão.

Aos interlocutores que ousarem ler,
restará a dúvida:
estão diante de uma obra?
ou foram absorvidos por ela?

 

Manifesto Amazônico da Fundação CAEBA

(Carta de Princípios)

 

Às instituições, aos povos e aos poderes do mundo,

O Instituto CAEBA Amazônia, desde sua gênese, nasceu do inconformismo com as estruturas que negam vida, arte e dignidade. Hoje, com o espírito renovado e a convicção amadurecida, lançamos ao mundo este Manifesto Amazônico, não como proclamação de posse, mas como sopro de sementes destinadas a germinar em um novo ciclo humano.

A Amazônia é mais do que território: é ventre, é berçário da Terra, é anúncio de futuro. Dela, evocamos a força das águas, o mistério das florestas e a sabedoria ancestral dos povos que nela habitam. Daqui se ergue a palavra que não é apenas nossa, mas de todas as vozes silenciadas pela história.

Nossa ideia fundamental:

O ser humano precisa reencontrar o equilíbrio entre arte, natureza e convivência.
A partir da poesia, da criação e da partilha, plantamos a visão de que o mundo não pode mais ser governado apenas por interesses econômicos e políticos estreitos. É hora de instaurar um tempo da cultura e da consciência.

Nossos princípios:

  1. A vida como sagrada – defender todo sopro vital, seja humano, animal ou vegetal.
  2. A arte como caminho – reconhecer a cultura como eixo transformador de sociedades.
  3. A Amazônia como símbolo – não apenas preservar a floresta, mas afirmar seu papel espiritual, cultural e universal.
  4. A humanidade como destino comum – romper fronteiras de egoísmo para viver a solidariedade planetária.
  5. O futuro como responsabilidade presente – agir hoje para que as gerações vindouras encontrem raízes de esperança.

Não trazemos respostas prontas, mas perguntas semeadas.
Não erguemos muros, mas caminhos.
Não falamos sozinhos, mas convocamos todas as vozes.

Assim, O Instituto CAEBA Amazônia, se oferece como espaço de escuta, criação e diálogo. Nos propomos a caminhar com instituições, governos, artistas, povos e comunidades que reconheçam a urgência de inaugurar um novo ciclo civilizatório, onde a palavra, a arte e a justiça floresçam como frutos da mesma árvore.

Que este Manifesto seja não o fim, mas o princípio. Que cada semente lançada pelo Projeto Amazônico encontre solo fértil nos corações e nas instituições. Que a poesia se transforme em política, a política em cuidado, e o cuidado em vida abundante.

O Instituto CAEBA Amazônia

Brasil – Amazônia, 2025

 

Estrutura Labiríntica em Estações / Portas

Cada porta abre um universo, com imagens, símbolos, notas de rodapé-poemas, e também um fio racional (que já se aproxima de projeto formal).

Porta 1 — O Chamado / O Clarim

  • Símbolos: som, eco, tambor, uma estrela que pulsa.
  • Imagem: a convocação, a necessidade de existir.
  • Nota de rodapé: “O que não for convocado não desperta.”
  • Conteúdo: O porquê do projeto (missão, urgência social, cultural, espiritual).

Porta 2 — A Casa / O Corpo

  • Símbolos: ruínas, reconstrução, o abrigo e a nudez.
  • Imagem: a escola que fecha, o espaço vazio que pede sentido.
  • Nota de rodapé: “Uma casa é um corpo esperando respiração.”
  • Conteúdo: O espaço físico como ventre — a escola, o centro, o lugar onde a arte se enraíza.

Porta 3 — O Espelho / O Outro

  • Símbolos: reflexos, água, multidões invisíveis.
  • Imagem: juventude, comunidade, periferia, vulnerabilidade.
  • Nota de rodapé: “Eu só sou porque o outro me vê.”
  • Conteúdo: O público-alvo, quem se quer alcançar, transformar.

Porta 4 — A Semente / O Fogo

  • Símbolos: germinação, brasas, dançarinos em labareda.
  • Imagem: a arte como faísca, como futuro plantado.
  • Nota de rodapé: “A chama é sempre herança de outra chama.”
  • Conteúdo: Linguagens artísticas, oficinas, dança, teatro, música, música-terapia.

Porta 5 — O Labirinto / A Jornada

  • Símbolos: cordas, mapas, passos que se perdem e se encontram.
  • Imagem: o percurso, as fases, os ritos de passagem.
  • Nota de rodapé: “Só quem se perde pode se reinventar.”
  • Conteúdo: Etapas do projeto, cronogramas, estações de ação.

Porta 6 — O Altar / A Constelação

  • Símbolos: altar, céu estrelado, comunidade em círculo.
  • Imagem: celebração, culminância, espetáculo final.
  • Nota de rodapé: “Somos estrelas dançando na noite do possível.”
  • Conteúdo: O grande encontro (apresentações, espetáculo na arena, partilha).

Porta 7 — O Futuro / A Travessia

  • Símbolos: ponte, mar aberto, asa.
  • Imagem: continuidade, expansão, legado.
  • Nota de rodapé: “Todo projeto é uma jangada no infinito.”
  • Conteúdo: Sustentabilidade, próximos passos, expansão estadual/nacional.

 

Porta I – O Grito

📜 Poema / Manifesto

 

O grito é antes da palavra.
É a rasgadura do peito,
o estalo que rompe o silêncio
e inaugura o desfile.

Na avenida do mundo,
a comissão de frente não dança:
ela explode.
Braços cortam o ar,
corpos tombam e se erguem,
corações batem como tambores.

Não há harmonia. Há urgência.
Não há começo suave: há ruptura.
O grito é o anúncio de que pecamos,
de que sangramos,
de que caminhamos nus,
mas seguimos.

Que atire a primeira pedra quem nunca gritou.

 

PILARES:

  1. A Cultura + Inteligência Artificial
    • Criação de um Mega Estúdio Amazônico de produção, edição e distribuição de conteúdos audiovisuais (cinema moderno, documentários, experiências imersivas, transmissões híbridas).
    • Esse estúdio se conectaria às plataformas mundiais e seria operado em diálogo direto com as comunidades indígenas e ribeirinhas. Assim, a voz local não seria só representada, mas se tornaria autora da narrativa, utilizando tecnologia de ponta (IA, realidade virtual, metaverso cultural).
    • Resultado: de Alter do Chão para o mundo, nasce um polo cultural-tecnológico inédito.
  2. A Sustentabilidade Radical (Reciclagem 100%)
    • Implantação de células comunitárias de reciclagem integral, em que todo resíduo sólido produzido é reaproveitado localmente.
    • O princípio é simples e revolucionário: não adianta reciclar plásticos e depois poluir com a logística de transporte. Cada comunidade deve ter a tecnologia para transformar seu lixo em recurso ali mesmo (materiais de construção, energia, artesanato tecnológico, biomassa etc.).
    • Essa lógica descentralizada evita o “choque” externo: as comunidades não são meras fornecedoras, mas protagonistas de um modelo que combina sabedoria ancestral + tecnologia de ponta.

O que isso significa para o Manifesto e o Projeto CAEBA Amazônia?

  • O poético e o técnico caminham juntos: de um lado, o discurso cósmico de futuro, de outro, propostas concretas e revolucionárias.
  • O CAEBA Amazônia 30 anos não chega para “impor” ou “inserir”, mas para absorver e potencializar.
  • A cada frente (Arte, Tecnologia, Sustentabilidade, Inclusão), nasce um projeto piloto replicável.

Se quiser, posso já começar a estruturar a matriz de eixos do CAEBA Amazônia:

  • Eixo 1: Cultura & IA (Mega Estúdio)
  • Eixo 2: Reciclagem Regionalizada 100%
  • Eixo 3: Educação & Formação (TAE, Invasão Cultural etc. adaptados à Amazônia)
  • Eixo 4: Povos da Floresta (integração sem choque, co-criação real)
  • Eixo 5: Rede Internacional (plataformas, diálogos, fórum permanente)

 

Visão Integradora – CAEBA Amazônia

O CAEBA Amazônia estrutura-se como um ecossistema interdependente em que cada eixo amplia e fortalece os demais:

  • O Mega Estúdio de Cultura & IA fornece recursos criativos e tecnológicos que potencializam as narrativas locais, alimentando a Rede Internacional com conteúdos inovadores.
  • A Reciclagem Regionalizada 100% garante sustentabilidade material e simbólica, criando circularidade econômica e consciência socioambiental que dialogam diretamente com os Povos da Floresta.
  • A Educação & Formação funciona como o elo de transferência de saberes, capacitando comunidades e profissionais para operar, gerir e expandir os outros eixos, adaptando experiências como TAE e Invasão Cultural ao contexto amazônico.
  • A integração real com os Povos da Floresta legitima o projeto, enraizando-o em práticas ancestrais e promovendo co-criações que se tornam vitrine para o mundo, via Rede Internacional.

Narrativa curta e impactante

O CAEBA Amazônia nasce como resposta visionária a um dos maiores desafios do nosso tempo: unir tecnologia, cultura e sustentabilidade em favor da vida. Na Amazônia, onde o futuro do planeta respira, propomos um ecossistema inovador que conecta arte, inteligência artificial, reciclagem, educação transformadora, povos da floresta e redes internacionais de diálogo.

Nosso modelo é circular: a criatividade do Mega Estúdio de Cultura & IA dialoga com a sabedoria ancestral dos povos originários; a reciclagem 100% regionalizada gera novos fluxos econômicos sustentáveis; a formação educativa multiplica competências para uma geração que pensa e age globalmente; e a rede internacional amplia o alcance, projetando a Amazônia como centro de inovação cultural e humana.

O que nos move é a certeza de que a floresta não é apenas um território de preservação, mas um território de criação. Aqui, tradição e futuro se encontram, e o resultado é um laboratório vivo para soluções globais.

CAEBA Amazônia é mais que um projeto: é uma plataforma de futuro onde o local inspira o mundo e o mundo respeita o local.

Porta II – O Espelho

📜 Poema / Manifesto

Depois do grito, o reflexo.
O abre-alas traz a face partida,
mil olhos em um só corpo,
mil verdades num só espelho.

O carro não é carruagem,
é confessionário em movimento.
Espelhos giram,
mostram o público a si mesmo.
Quem nunca errou vê o erro estampado na própria face.
Quem julga se vê julgado.
Quem esconde se revela.

E o cortejo avança, refletindo a multidão,
fazendo da avenida uma sala de espelhos,
um tribunal sem juízes,
onde todos são réus e testemunhas.

Porta III – A Pedra

Poético
A pedra dorme no chão da história.
Foi arma, foi altar, foi sentença.
O peso que cai não é só mineral:
é a mão que acusa,
é o dedo que aponta,
é o coro que clama pelo erro alheio.
No silêncio da pedra, ecoa a escolha:
atirar ou deixar cair.
E quem nunca errou
que seja o primeiro a calar.

Técnico

  • Símbolo cênico: As pedras representam o julgamento social e a violência simbólica.
  • Visual/Alegoria: Alegoria coreográfica de pedras suspensas (balões ou estruturas translúcidas que simulam rochas levitando). Bailarinos/manipuladores interagem, sugerindo o peso do julgamento coletivo.
  • Comissão de Frente (relação): A comissão pode iniciar um jogo com pedras-objetos cenográficos, que se transformam em instrumentos de dança, virando o ato de atirar em gesto de criação.
  • Mensagem: O público deve se sentir diante da escolha eterna: julgar ou compreender.
  • Referência bíblica: João 8:7 – “Aquele que dentre vós está sem pecado seja o primeiro que lhe atire a pedra”.

Porta IV – Madalena

Poético
Ela vem de olhos marejados,
traz no corpo a cicatriz da rua,
no peito a coragem do recomeço.
Madalena não é só mulher —
é todas as que foram erguidas e derrubadas.
A prostituta e a santa,
a amada e a esquecida,
a errante e a escolhida.
Na sua dança, não há condenação:
há caminho.
Na sua voz, não há vergonha:
há anúncio.
Madalena é a porta que não se fecha.

Técnico

  • Símbolo cênico: Madalena como arquétipo da mulher julgada, mas também da mulher que se reinventa e ocupa lugar de centralidade.
  • Visual/Alegoria: Carro alegórico em formato de templo em ruínas que floresce em cores vivas; Madalena no topo, cercada por dançarinas que simbolizam diferentes faces femininas (mãe, filha, amante, guerreira).
  • Coreografia: Mulheres dançam primeiro presas (tecidos, véus, cordas) e depois rompem as amarras, revelando corpos livres.
  • Mensagem: Humanização e celebração do feminino na sua contradição e força.
  • Referência bíblica: Maria Madalena, primeira a testemunhar a ressurreição, símbolo de inversão — quem era rejeitada se torna a anunciadora da esperança.

Agenda de Primeiro Ciclo (CAEBA Amazônia 30 anos)

(2025 – 2030: os primeiros 5 anos do novo ciclo)

🔹 Eixo 1 – Arte & Memória Viva

  • Reedição e adaptação dos projetos clássicos (Monólogos Urbanos, Pluricultural, Invasão Cultural, TAE), agora com a inclusão de narrativas indígenas e ribeirinhas.
  • Criação de um Arquivo Digital Vivo da Memória Amazônica, com uso de IA para catalogar, traduzir e narrar histórias tradicionais em múltiplos idiomas.

🔹 Eixo 2 – Tecnologia & Criação

  • Laboratório Arte + Inteligência Artificial em Alter do Chão, conectando artistas locais, indígenas e pesquisadores de fora.
  • Oficinas de realidade aumentada, realidade virtual e metaverso indígena (imersão em cosmologias amazônicas).

🔹 Eixo 3 – Internacionalização & Conexão

  • Festival Virtual Permanente Amazônia-Mundo: encontros virtuais de verdade, transmitidos com interatividade.
  • Criação de uma plataforma bilíngue/trilíngue (Português, Inglês, Espanhol) para difusão dos conteúdos.
  • Parcerias com universidades globais para pesquisa e residência artística.

🔹 Eixo 4 – Inclusão & Futuro Sustentável

  • Formação de jovens indígenas e ribeirinhos como agentes culturais digitais.
  • Projetos de empreendedorismo criativo sustentável (bioarte, design amazônico, audiovisual comunitário).
  • Construção de um Espaço Físico Sustentável (teatro-laboratório em Alter do Chão) como símbolo do novo ciclo.

Estrutura de Consolidação

  1. Instituto CAEBA Amazônia → nova denominação, mesma trajetória (continuidade jurídica).
  2. Centro de Referência Cultural Digital → base física + plataforma online.
  3. Plano de Sustentabilidade → patrocínios privados (empresas ligadas à Amazônia e ESG), editais nacionais e internacionais, cooperação internacional (Unesco, Unesco Creative Cities, ONU-Habitat).

 CAMADA 1 — A IMAGEM-FORÇA

  • Lava em torrentes incandescentes → metáfora da criação contínua, energia vital, ebulição.
  • Bercários amazônicos → fonte de vida, regeneração, ancestralidade, início de tudo.
  • Caldeirão cósmico na cauda de um cometa → o salto visionário, onde o local (Alter do Chão, Amazônia) se conecta com o universal (via Láctea, futuro do futuro).
  • Sopro da vida / sopro do sopro → consciência do efêmero e eterno ao mesmo tempo.

CAMADA 2 — A MISSÃO QUE EMERGE

  • O CAEBA na Amazônia não é só continuidade, mas transmutação: fundação que se torna instituto, Bahia que se expande no Pará, chão local que ganha dimensão universal.
  • O marco: selar 30 anos de trajetória em uma reinauguração cósmica, onde cultura, povos e natureza se entrelaçam como profecia para os próximos 30 anos.
  • O horizonte: gerações futuras, em Alter do Chão ou em outro planeta qualquer, olhando para trás e reconhecendo a semente lançada agora.

CAMADA 3 — O PROJETO EM SI

  • Cultural: preservar e expandir projetos já consolidados (Monólogos, Pluricultural, Invasão Cultural, TAE) em diálogo com povos indígenas e ribeirinhos.
  • Tecnológico: uso intensivo de IA como força criadora, multiplicadora e conectora com o mundo exterior.
  • Espiritual/Simbólico: um projeto que confunde, desconcerta, mas fascina. Não se explica de forma linear, se experimenta.
  • Planetário: encontros virtuais, redes globais, pulsando desde Alter do Chão, o “Caribe da Amazônia”, até a órbita sideral.