Monólogos

Representado por distintas formas de expressão cultural, mesclando desde dança e música até interpretação de textos, o XI Festival de Monólogos de Camaçari, realizado entre os dias 25 e 28 de dezembro, reuniu no Centro Cultural de Pojuca os mais premiados espetáculos de sua edição anterior, além de abrir espaço para os novos talentos da Região Metropolitana, diante de um público questionador e atento às manifestações culturais que evocam os díspares modos de pensar e agir do ser humano.

No primeiro dia de Festival estiveram presentes em cena os solos contemporâneos “Raízes”, com Audrian Cavian e “A Espera”, representada por Tony Erachel.

No dia seguinte foi a vez dos monólogos “Margareth, mas não sou a Menezes”, escrito e interpretado pelo jovem ator Yago Clayton, que trazia em sua bem humorada concepção as conflitantes relações de uma empregada doméstica com seus vizinhos e sua patroa, levando a empregada a procurar ajuda de uma mãe-de-santo para resolver seus problemas; e o intrigante “Pacto de Sangue”, de Proteus, com a atriz Isa Santos que fez o público arrepiar diante da textura sombria concebida pelo texto, na qual a morte é a essência de toda a trama. Já no sábado, dia 27, revezaram-se no palco ?Antonio?, de Yago Clayton, um jovem que descobre o amor, mas é incapaz de revelar esse sentimento a sua amada, ?A Mendiga?, também interpretado por Isa Santos, um espetáculo que coloca a platéia diante das gritantes desigualdades sociais que assolam, principalmente, as grandes metrópoles mundiais; além dos solos “Urbanos”, com Tony Erachel, uma negação ao stress movido pela falta de tempo e pelas máquinas que dominam o homem do século XXI e “16 Toneladas”, com a bailarina Cinha Guimarães representando os fardos que se debruçam nos ombros dos homens da atualidade, mas que ela tenta a todo o momento se livrar deles e reequilibrar a própria vida.

No domingo, último dia de espetáculos, a programação seguiu com teor efervescente. Um mini-trio seguiu pelas ruas de Pojuca ao som dos grupos de rap “Anexo à Realidade” e “Exilados do Sistema” que utilizaram a cultura hip hop como forma de protesto consciente. Em seguida, foi a vez dos grupos de dança “Pop Dance”, “Street Dance” e “Let’s Dance” se apresentarem no palco da Praça principal e exibirem suas inusitadas performances que atraíram pessoas de todas as idades, com ritmos pra lá de convidativos; e, por último, e não menos provocativo, o Núcleo de Artes Cênicas da Fundação Cultural CA&BA seguiu com o Teatro de Rua, arrancando muitas gargalhadas da platéia, com a peça Judite Fiapo na Serra Pelada, a história de uma moça assanhada, muito comentada entre as senhoras e beatas da cidade, que resolve deixar Serra Pelada para voltar à Paraíba, mas antes de ir Edith faz uma retrospectiva da sua vida, relembrando os fatos que lhe deram fama de mulher namoradeira.

E não pense que acabou, pois não parou por aí. O “arrastão cultural”, como ficou popularmente conhecido, seguiu a tradição em cortejo pelas ruas de Pojuca até o Centro Cultural, onde encerrou o Festival de Monólogos com “Dilema”, drama de Dadilson Aragão, interpretado por Isa Santos, em que uma jovem sofre abuso sexual, mas ao contrário do que deveria acontecer, ela sente prazer em ser estuprada e chora a morte do criminoso ao ser assassinado pela polícia. Mas a grande surpresa fica por conta da revelação nos jornais, o vilão da história não era mais ninguém que seu próprio irmão e a tragédia só aumentou quando esta descobriu estar grávida, esperando um bebê que era ao mesmo tempo filho e irmão.

Juntos, todos os espetáculos fomentaram o cenário catártico emocional do Festival, com suas inquietantes formas de conflitar os sentimentos da platéia, dando vez e voz as mais diversas formas de manifestações artísticas. A Fundação Cultural CA&BA, através dos patrocínios do Bradesco, Ferbasa, Lei de Incentivo à Cultura e Ministério da Cultura, e apoios da Prefeitura Municipal de Camaçari, Prefeitura Municipal de Pojuca, Icontent Empreendimentos e Rede Bahia, tem orgulho em fazer da arte a extensão dos sentidos que integra o ser humano e que compõe o alicerce formador de cidadãos conscientes sobre suas representatividades na sociedade, porque cultura é preciso e a arte, como ciclo da vida, pede passagem.

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